Vinhaça: O "lixo embaixo do tapete" da Indústria do Álcool (Parte 1)
Mas, será que é tudo tão perfeito assim mesmo? Vamos parar para pensar, Como se produz entanol a partir da Cana-de-Açúcar? Será que existe uma máquina milagrosa na qual você introduz cana e do outro lado sai um etanol limpinho e transparente? Não, não existe. Resumindo bem, a produção de etanol é assim: Você corta a cana, faz uma espécie de caldo de cana. O melaço produzido é então fermentado por microorganismos (fungos), os mesmos utilizados na produção de bebidas alcóolicas. O resultado desta fermentação é uma espécie de cachaça fedida. Infelizmente não temos carros movidos a "cachaça fedida". E para obtermos o verdadeiro etanol com um nível de pureza superior a 90% é necesária uma purificação, usando membranas de permeabilidade seletiva ou destilação. Após este processo finalmente temos um álcool limpinho. Mas agora vem a primeira grande pergunta: qual a proporção daquela cachaça fedida se converte em álcool? A resposta é alarmante: cerca de 1 litro para cada 8 a 10 litros dela se tranforma de fato em álcool. O restante, um líquido (agora com teor alcoólico bem mais baixo, mas que não deixa de ser fedido) conhecida como vinhaça ou vinhoto, é composto por uma solução ácida com matéria orgânica, amônia e sais. Agora, a segunda grande pergunta: Sabendo que a produção nacional de etanol está próxima dos 25 bilhões de litros, o que fazer com os 225 bilhões (matemática simples) de litros de vinhaça? Complicado, não acha? Na época do Proálcool a solução foi bem simples: lançar os efluentes em rios! Simples assim! Submeter rios à milhões de litros de uma substância com potencial de acidificar, eutrofizar e intoxicar corpos d'água.

